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| Adam Lima Malicha |
Que
é isso? De ver o outro à imagem do outro?
Ser
singularmente não se repete, se é essencialmente uma vez.
Procuram-me
acidentes visíveis no meio grupal, social atropelando-se a ingénua
e genuína natureza humana antes de existir a sociedade.
A
estrada asfaltada pelo sol radiante é como se suasse um fio de
lágrimas repulsas em ondas térmicas expulsas da terra.
À
vista do mar é como se o céu beijasse o mar e o mar o céu, porém,
não.
As
metáforas tocam ao de leve na superfície em volta dos objectos.
Entende-se
como são as circunstâncias em que estão.
As
simetrias são aparências que aparecem quando as dissemelhanças
envelhecem de se mostrar.
Entende-se
o mundo, as coisas como metempsicose regada pelo estrume vivo do
nosso retrato físico.
Ora
anáforas, ora metáforas!
Queres
confortar-te com velharia, incubas a novidade. Fazes-te convencer de
fora, de fora não se conhece a realidade. E então, eu escriba disto e que nisto quero poema, metaforizar-me-ão e dirão este é aquele...
Faz
favor não me veda o ser único que somos muito menos não o condene no
desterro de mim mesmo.
E,
neste sentimento profundo de ser, sinto “A NÁUSEA” de
Roquetin esculpido por Sartre a fustigar-me por dentro igual à
um bebé de existência.
Entretanto,
vou calar por instante a boca da mãos, é claro que sou igual à
todos, é por isso que a lei desde a época das luzes na França à minha
pátria amada me reconhece como tal, contudo, uma vez mais sou assim
confundido sobretudo em todos parâmetros e componentes como sujeito
relacional. Em essas nuances descontadas implantam-me abismos,
holocausto uno, na fala, na voz sufocada por palavras, sua força
vinda de fora.
Bombardeiam-me
os tímpanos, o corpo, assassinando-me tanto o ar calmo quanto a
tranquilidade, com essa via, atónico fico como quem pouquíssimos segundo depois de tomar alguns watts de choque
eléctrico fica.
Quiçá
sou um pangaio no mar da existência.
Meu
barco, meus pensamentos, minhas águas, minha vontade, meu coração,
meu equipamento. Tudo afundou na indagação. E agora, mergulho atrás,
atrás do meu auto-conhecimento.
Encolho-me
deitado dentro de mim inteiro isento de qualquer salubridade,
seguidamente navego dentro de mim igual uma minhoca.
Enfastiado
com a tribulação de aparecer depois de nada. Sou livre para me
definir. É nessa liberdade de definição legal que é me dado nome:
“-livre, livre, tu és livre”. E não é me dada a voz de
pronunciá-lo.
Então,
porra, porra, eu já estiquei a minha rede na consciência da vida
vinda para ocupar o espaço oco, por enquanto vou-me refrescar!
Adam
Lima Malicha; in '"Almanaque"