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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

PELA MADRUGADA PROVOCANDO LUCIDEZ

Bem queria emprestar o meu corpo à uma cama quente na temperatura de neve, após uma jornada desgastante
Por o quê não interessa!
A madrugada tem-me um velho hábito
O de mandar pessoas!
Mandar pessoas fazerem coisas
Coisas que o dia as sente no seu ventre
(A) "madrugada-arquitecta", arquitecta com as suas linhas o tecido das minhas vontades
À insípida escrita acorrentada pelos dotes da consciência
Enquanto outros corpos gozam da inconsciência
Sobrevivo eu provocando lucidez daqueles que presumivelmente cumpriram o dia
Diferentemente de mim em que o dia é madrugada.

Seja por sensatez ou por insansatez, nesse horário é onde me encontro nos desencontros dos outros. 




DESEJO DE SER

Eu tenho desejo
Escrever-me a própria biografia
Biografia que sirva-me de espelho
Eu pretendo me conhecer
Na vala dos incógnitos
O maior desejo é ser
Agora nada melhor que tudo almejo
Ser eu mesmo
De tudo bem sei
Seria como pensei
(E) se os demais fossem eles?
Não haveria padrão, muito menos patrão
Normal e muito menos anormal
Dói ser natural
O homem precisa do artificial par sobreviver




Adam Lima; in: "Almanaque"