metendo-a, tirando-a da vastidão do seu lar que é mar
para secar estende-a na conversão da força lunar
Há um pau incitando a falua
que carrega iluminação adormecida
São deveras dolorosas as permanências e partidas
A lua todos dias perde, ganha vida
É do seu Sumiço que me aparece um céu de feridas
por isso a qualquer um peço o seguinte:
-escreve-me na água do mar o trajecto da lua
para não a ver mais partir
Atendido o meu pedido
verei sempre a lua a sorrir
As águas terão conservado o seu suor
quando de mim se alocou
pois, a água não é de todo amnésica
como vós pensais
a lua e a água se conhecem sensivelmente
vedes, de natureza são,
e de natureza vê quem de natureza sente
escreve-me na água do mar o trajecto da lua
Adam Lima Malicha; in: "Almanaque"
Lara Guerra Nasceu em 31 de Janeiro de 1929 em Maputo, Moçambique.
Iniciou-se na pintura no atelier do pintor Malangatana. Actualmente vive em Portugal.



