Bem queria emprestar o meu corpo à uma cama quente na temperatura de neve, após uma jornada desgastante
Por o quê não interessa!
A madrugada tem-me um velho hábito
O de mandar pessoas!
Mandar pessoas fazerem coisas
Coisas que o dia as sente no seu ventre
(A) "madrugada-arquitecta", arquitecta com as suas linhas o tecido das minhas vontades
À insípida escrita acorrentada pelos dotes da consciência
Enquanto outros corpos gozam da inconsciência
Sobrevivo eu provocando lucidez daqueles que presumivelmente cumpriram o dia
Diferentemente de mim em que o dia é madrugada.
Seja por sensatez ou
por insansatez, nesse horário é onde me encontro nos desencontros dos
outros.

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