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terça-feira, 18 de setembro de 2012

O SILÊNCIO AMADOR DA FELICIDADE

A família Sabã é uma das raras famílias que vivem nos maiores dissabores da vida, desde o primeiro dia que os cônjuges tiveram a ideia de gerar família. Vivendo em volta das montanhas, as montanhas vivem negando a vista da cidade que tanto dona Marta assim como Farelay almejam, julgando a cidade um paraíso ao lado seu inferno sob comandos de Mutarara, pai e esposo da família. Farelay tem sete irmãos, desde o mais velho ao mais novo, isto é, Brito, Quito, Miro, Joelma, Salma, Carleta e Zeca. A rotina da família é quase sempre a mesma, pois assemelha-se de um objecto sujeito a comandos e descomandos sem capacidade de responder por si. Infelizmente vive-se um drama sem fronteiras e nem identidade, mas que se apodera de almas inseguras entranhando-as o medo, porque acredita-se que é com a boca fechada que entra a tranquilidade e felicidade no lar. (casa em que só um único homem tem direito a censura e os restantes estão limitados no sim.) Farelay, menino esperto, inteligente, terceiro filho do casal é o único filho que entende que tem liberdade de se expressar mesmo se o motivo for contra as leis ditadas pelo pai (claro, geralmente quando necessário).Por isso mesmo, Farelay é considerado o mais velho advogado da família contra as infâmias do bruto pai. A vizinha Teresa é testemunha ocular de desassossego na casa ao lado, que por vezes chega a ser prato do dia que perde o sabor à luz da matina. Já são vinte horas como sempre, o pai da família volta grosso do serviço, da bebedeira, de tudo, de nada e da raiva colhida no campo dos bebe, bebe! -Marta, Marta, Marta!? (gritou Mutarara). -Sim pai! (respondeu a mulher num tom como se não quisesse) -Ponha-me água para tomar banho e, chama Farelay para levar as botas ao quarto. A Marta depois de ouvir a voz do comando, logo de seguida dirigiu-se ao suposto quarto de Farelay (na verdade não era precisamente um quarto, mas uma divisão por tecidos de uma casa de caniço). Ele estava a dormir. -Meu filho, meu filho, acorda, o seu pai está a te chamar- sussurrou carinhosamente a Marta no tímpano do miúdo. -Ah! Mãe, estou com sono- correspondeu Farelay com a voz dos deuses que lhe falara no momento. De repente, não tardou para Mutarara ficar irado, levantou-se do seu assento( precário) para ver o que estava a acontecer, bateu o tecido como se estivesse no maior campeonato do pugilismo do mundo e o tecido de separação, seu adversário, e flagrou a Marta acariciando o filho no sentido de o dar vontade de acordar sem levantar poeira. O gesto não agradou o comandante da família que se sentia excluído da relação. -Marta o que faz aqui?- perguntou Mutarara enfurecido, porque donde estava sentado até onde encontra deitado o filho, tinha esquecido que pouco antes mandara Marta para acordar o filho. Estou a fazer o que o pai mandou- respondeu. -O que eu mandei?- questionou novamente Mutarara desta vez muito mais surpreso como se estivesse acordado a poucos segundos de uma coma de anos. -Chamar Farelay para levar as botas ao quarto.- Responde Maria meigamente. -Eu não disse para acordar esse pobre menino, apenas para chama- lo. – Replicou o pai da família com simples desejo de contradizer a esposa. O impotente Mutarara enquanto tomava banho mandara a esposa arranjar a cama e ficar a sua espera despida de tudo totalmente. Sob efeito da bebida Mutarara era lento em tudo. Saiu de banho. Apanhou a sua janta já preparada. Jantou e se afogou dentro do prato com comida, deixando a Marta a desejar calada.








por: Adam Lima

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