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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Escreve-me na água do mar o trajecto da lua

Há uma mão movimentando a lua,
metendo-a, tirando-a da vastidão do seu lar que é mar
para secar estende-a na conversão da força lunar

Há um pau incitando a falua
que carrega iluminação adormecida
São deveras dolorosas as permanências e partidas 
A lua todos dias perde, ganha vida
É do seu Sumiço que me aparece um céu de feridas

por isso a qualquer um peço o seguinte:
-escreve-me na água do mar o trajecto da lua
para não a ver mais partir

Atendido o meu pedido 
verei sempre a lua a sorrir  
As águas terão conservado o seu suor
quando de mim se alocou 
pois, a água não é de todo amnésica 
como vós pensais
a lua e a água se conhecem sensivelmente
vedes, de natureza são,
e de natureza vê quem de natureza sente
escreve-me na água do mar o trajecto da lua 





Adam Lima Malicha; in: "Almanaque"








imagem: Lara Guerra

Lara Guerra Nasceu em 31 de Janeiro de 1929 em Maputo, Moçambique.
Iniciou-se na pintura no atelier do pintor Malangatana. Actualmente vive em Portugal.


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