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| foto: Adam Lima Malicha |
MARULHO
Esbate a ventania, do
fundo afora do mundo do mar. Traz-se a correnteza espumada do mar cuspido ao
catapultar do seu bafo. É o manifesto, o fervilhar. Tudo mostra hiatos de
auto-abandono rumo ao árido continente, rumo ao húmido mar numa monotonia de
vaivém que deixa gorjeios “flamingueiros” tartamudos sem eira-nem-beira. Há
fome fora do mar! Este movimento é estonteante! Pescadores de todo tipo arrumam
as suas redes nas profundezas dos seus pacatos barcos. Hoje não há mariscos! As
marés não permitem. A atmosfera transmuta o convívio seco e sério e dá um alívio
às nuvens concentradas convertendo-as em chuvisqueiro tão efémero que a
brevidade das estrelas cadentes nos dias de sorte com o pescado, pois só servia
para dissipar aquilo que tirou os banhistas das suas casas. Da tristeza dos pescadores
está a alegria dos banhistas cansados de nadar contra a maré. As ondas,
ventiladores, só quem está ao pé do mar
sabe do barulho e da brisa que elas fazem na praia...
Adam Lima Malicha; in: "Almanaque"

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