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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

MARULHO

foto: Adam Lima Malicha
MARULHO

Esbate a ventania, do fundo afora do mundo do mar. Traz-se a correnteza espumada do mar cuspido ao catapultar do seu bafo. É o manifesto, o fervilhar. Tudo mostra hiatos de auto-abandono rumo ao árido continente, rumo ao húmido mar numa monotonia de vaivém que deixa gorjeios “flamingueiros” tartamudos sem eira-nem-beira. Há fome fora do mar! Este movimento é estonteante! Pescadores de todo tipo arrumam as suas redes nas profundezas dos seus pacatos barcos. Hoje não há mariscos! As marés não permitem. A atmosfera transmuta o convívio seco e sério e dá um alívio às nuvens concentradas convertendo-as em chuvisqueiro tão efémero que a brevidade das estrelas cadentes nos dias de sorte com o pescado, pois só servia para dissipar aquilo que tirou os banhistas das suas casas. Da tristeza dos pescadores está a alegria dos banhistas cansados de nadar contra a maré. As ondas, ventiladores, só quem está  ao pé do mar sabe do barulho e da brisa que elas fazem na praia...  



Adam Lima Malicha; in: "Almanaque" 



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