Durma no colo da volúpia e o resto cuido eu. Não se
preocupe de tudo à sua pessoa, arco amavelmente sem precalços com os segredos do seu
corpo. Mui, um pouco rude, perdoe-me, é a selvajaria que o amor exige. Se por
acaso lhe morder, se por acaso lhe morder vai ter de me perdoar também, é que
alguns obstáculos são precisos e fazem parte do caminho. E se por acaso gritar
injustificadamente na bacia do seu busto espero que me entenda como eu lhe
entendo quando por nada além por mim gemes. Se for violento lhe peço
francamente não me queixe às esquadras verdadeiramente violentas, apenas
conceba a minha violência como um beijo mordidinho prazerosamente no pescoço,
sinta isso como condição determinada pelo amor. Porque amor nada mais que as
nossas impressões. Que valha pena escalar montanha para ver a planície pode
acreditar, porque só lhe tenho por inteiro seguindo passo à passo, assim sinto
melhor o gosto do cansaço percorrendo e queimando descontroladamente as
nossas nuas florestas que nos conservam bem no final alguma lagoa do saboroso
líquido. Quero na duração deste momento a demora mais demorada, a eternidade
mais terna e eterna e, por cumplicidade, por conjunção de copular, em si
consenti igualmente o mesmo. Oxalá que o (momento) atinjamos juntamente e
tardiamente…
Adam Lima, In Almanaque
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